Arquivo de José Saramago

Fundação José Saramago; reimpresso do Flickr sob uma licença CC

Fundação José Saramago; reimpresso do Flickr sob uma licença CC

José Saramago (1922-2010), primeiro Nobel português da Literatura, nasceu no Ribatejo, (Golegã, Portugal) numa família de camponeses, filho de José de Sousa, jornaleiro, e Maria de Jesus, doméstica. Curiosamente, é o primeiro Saramago da sua família, facto que se ficou a dever a ter sido registado como apelido a alcunha familiar.

A família Sousa cedo parte para Lisboa (1924), onde José Saramago inicia o seu percurso escolar, que acabará em 1940 no curso de serralharia mecânica na Escola Industrial Afonso Domingues. Contudo, durante toda a infância e adolescência passa longos períodos na Azinhaga com os avós maternos.

Tendo publicado o seu primeiro romance – Terra do Pecado – em 1947, iniciando assim uma extensa e prolífera carreira literária, que abarcou vários géneros literários tais como poemas, contos, literatura infantil e romances.

Apesar disso, possuiu sempre outra actividade profissional que iniciou como serralheiro mecânico nos Hospitais Civis de Lisboa, tendo passado a desempenhar cargos administrativos pouco depois. O seu percurso profissional será também marcado pelas suas posições políticas, tendo sido afastado da Caixa de Abono de Família do Pessoal da Indústria de Cerâmica em 1949, em virtude do seu apoio à candidatura de Norton de Matos à Presidência da República.

Mas será apenas em 1955, com o início da sua colaboração com a editora Estúdios Cor, que o seu nome começa a ser conhecido no campo da literatura e da cultura. A partir daí inicia a sua extensa actividade como tradutor. Entre 1967 e 1968 colabora como crítico literário na revista Seara Nova, dedicando-se ainda a crónicas no jornal A Capital, nas secções «Rua Acima, Rua Abaixo» e «Deste Mundo e do Outro», bem como no Jornal do Fundão e Diário de Notícias.

Mais tarde, em 1969, filia-se no Partido Comunista Português, no qual se mantem até ao fim da vida e que lhe valei, já após a revolução de 25 de Abril de 1974, fazer parte do Movimento Unitário de Trabalhadores Intelectuais para a Defesa da Revolução. Tendo sido afastado do Diário de Notícias no 25 de Novembro, dedica-se apenas à tradução e escrita.

Casa pela segunda vez com a jornalista espanhola Pilar del Rio em 1988, já em plena vida dedicada à escrita e com ela passa a viver em Lanzarote a partir de 1993, após ver vetada, pelo Governo Português, a candidatura do seu livro O Evangelho Segundo Jesus Cristo ao Prémio Literário Europeu.

Por esta data, é já escritor sobejamente conhecido, com inúmeras traduções dos seus livros e o reconhecimento dos seus pares, com a atribuição de prémios nacionais e internacionais, bem como de doutoramentos honoris causa. O culminar desse processo ocorre em 1998, onde ganha o Prémio Nobel da Literatura “… pela sua capacidade de tornar compreensível uma realidade fugidia, com parábolas sustentadas pela imaginação, pela compaixão e pela ironia”, segundo a Academia Sueca.

Nos anos seguintes mantém uma actividade literária intensa, com colaborações nas áreas do teatro, cinema e música

Em 2006, inaugura a biblioteca da sua casa em Lanzarote, e em Junho de 2007 cria a Fundação José Saramago com o objectivo não só de conservar, estudar e promover a sua obra, mas também de promover a cultura, o ambiente e os direitos humanos, como escreve na sua declaração de princípios.

Apesar de algumas doenças, mantém a sua escrita, viaja e a sua própria Fundação inicia a sua actividade com um encontro entre Saramago e Maria Kodama na biblioteca de Lanzarote e mais tarde, com a inauguração de uma extensão local em Azinhaga. Em 2008 é inaugurada em Lisboa a Exposição José Saramago. A Consistência dos Sonhos, organizada, na Galeria de Pintura do Rei D. Luís, no Palácio Nacional da Ajuda, pelo Ministério da Cultura *Português. Em Agosto dá-se início ao blog da Fundação José Saramago.

Morre a 18 de Junho de 2010, tendo ainda visto a edição dos seus últimos livros – A Viagem do Elefante e Caim.

Actualmente, a sua Fundação situa-se na Casa dos Bicos em Lisboa, onde pode ser observado o seu arquivo pessoal e literário, ainda em fase de inventariação.

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